sábado, 26 de março de 2011

Abstração concreta

o
primidopoeta
faz poesia
concreta
o
primidopoeta
ri da
sorte
secontorce
o
primidopoeta
sesconde
n'estrofe
abspremida
concretrata

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

As damas da noite


Vai lá polaca
entra no banho
troca o vestido
arruma o colchão
e pinta essa boca
de vermelho encarnado.

Vai lá mucama
coloca o espartilho
empina a bunda
levanta o zíper
e veste a coroa
de rainha da noite.

Vai lá morena
se pinte, se borde
com pedras de jade
sem nada por baixo
somente o perfume
de lavanda felina.

Vai lá mulher
vê se toma jeito:
o meu você tomou.

Imagem disponível sob CC, em: http://www.sextapoetica.com.br/wiki/images/b/b0/As_damas_da_noite.JPG . Tela da artista Tila.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Boteco e poesia

Sentado à mesa
a cerveja do lado
vejo a beleza
o boteco lotado.

Bundas vão gordas
bundas vão magras
peitos são grantes
peitos são murchos.

Tudo é belo no boteco:
o copo que quebra
a palma que bate
o tempo que corre
o papo que latem.

Falam dos bons
falam dos ruins.
Bondade e maldade
permeiam julgos afins.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Embriaguez

Intoxicação do trabalho
sobriedade da vida
para suportar a dor
do trabalho usurpado
anda sóbrio na lida
com a vida partida:
oprimido, violento
racional, poético
obediente, criativo.
Um humano embriagado.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Gênesis poética

Fez dia e noite
água do céu
terra na água
a lua, as estrelas
peixes e aves.

Na quinta-feira
refletiu.

Criou o homem
na sexta
poética
e se matou.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Lágrimas de silício

A

gri
ma ver
tendo do
olho verde
escorre pela
face cansada e
enrugada vai ao
queixo barbado
num balançar
até pingar
e cair


caiu
na mesa
onde assina
final forçado
anos na memória
carta de demissão
lágrima o torna
cristal opaco
um silício
desvalor
usado

sábado, 22 de janeiro de 2011

Se toda escrita fosse poesia

Se toda escrita fosse poesia
palavras soariam cantos
paisagens impressionariam
pessoas surrealistas
de faces retas e cúbicas.

O contato seria sexo
abraços em puro gozo
mucosas entumescidas
e pêlos arrepiados
no corpo todo de glande.

E o poeta não escreveria
uma só palavra.