terça-feira, 14 de setembro de 2010

A organização no ciberespaço: o caso da Wikipédia lusófona

A consolidação da tecnologia digital permitiu a emergência de modelos organizacionais fundamentados exclusivamente no ciberespaço que romperam paradigmas mercadológicos, sem alterar a lógica econômica vigente. O objetivo do estudo foi analisar como se estrutura e se mantém uma organização não monetária com relações fundamentadas no ciberespaço. Para tanto, foi escolhida a Wikipédia, a enciclopédia livre, que tida como expoente desse fenômeno. Realizou-se um estudo de caso por meio de esforços exploratórios e observação participante durante o período que compreendeu o ano de 2008 e o primeiro trimestre do ano de 2009. Verificou-se a existência de um modelo hierárquico que respalda o sistema político interno e ocorre em função dos diferentes níveis de liberdade para o uso do software. Todavia, não foi constatada hierarquia no que concerne aos processos de produção.

Artigo apresentado no Simpósio da ABCiber e 2009, texto completo em: http://www.abciber.com.br/simposio2009/trabalhos/anais/pdf/artigos/1_redes/eixo1_art44.pdf

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O desafio e o fardo do tempo histórico



Essa foto foi tirada em Berlim, se fosse dar um título, seria o mesmo do livro "O desafio e o fardo do tempo histórico" cuja apresentação segue abaixo.

Em tempos de reflexão minimalista, István Mészáros é um pensador fundamental. Em seu livro O desafio e o fardo do tempo histórico, o filósofo húngaro destrincha o caráter imperativo e destrutivo das positivações atuais do capital e aprofunda a análise do significado histórico de sua crise estrutural à luz de manifestações cada vez mais irracionais e perigosas para o futuro da humanidade. (...)
Fonte: http://www.boitempo.com/livro_completo.php?isbn=978-85-7559-100-0


Imagem disponível sob CC, em: http://antiteseseantiteses.blogspot.com/

domingo, 5 de setembro de 2010

Rotina asséptica




Chegou com cara de sono,
tomou café com açucar
e ligou o computador.

O velho mendigo da calçada
agonizando implorou pela vida,
o policial que cumpria o dever
disparou na boca e na panturrilha.

Um avião explodiu no edifício,
outro arrasou o deserto,
o jovem soldado indefeso
metralhou um turbante de perto.

O negro corria e sorria
com o brilho de um diamante,
caiu distante do braço
que segurava a pedra brilhante.

E no final do expediente,
com o computador desligado,
lembrou do meio ambiente
ao pisar numa garrafa d'água.

Essa poesia está no Sexta Poética, em: http://sextapoetica.com.br/wiki/index.php?title=Rotina_asséptica

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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Pós-de-vir-humano




Nada construo,
sou valorado
Faço o que trocam,
faço o que usam,
o mundo não muda,
nada é concreto,
mas tudo demora,
muito.

Sinto veloz,
num globo da morte,
sem velocidade,
o limite circula,
força o globo
para girá-lo,
mas tudo demora muito,
nada construo,
sou valorado.

O globo não roda,
contraditório,
inconclusivo,
inerte,
dentro é veloz,
fora é parado,
nada construo,
sou valorado.


Essa poesia está no Sexta Poética, em: http://sextapoetica.com.br/wiki/index.php?title=Pós-de-vir_humano


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terça-feira, 17 de agosto de 2010

Aventuras de Kafka - III



Sobre a pilha de papeis
e com a mesa à deriva,
por um lado queria a moça,
por outro a própria vida.

Os documentos protocolados
Não podiam ser perdidos
e a moça era tão bela
como um processo indefinido.

Arrastou-se até margem,
em direção ao compromisso,
mas a ocasião que era fértil
só abria em dia útil.

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terça-feira, 3 de agosto de 2010

Aventuras de Kafka - II



Do alto da torre igreja,
viu, num morro breve,
uma moça solícita que acenava
sob a velha porta do albergue.

Mas a água já tomara o vale.
Sobrara apenas a torre, o cume e,
distante a Leste, um móvel de madeira.

Kafka titubeou, pensou em desistir,
instante em que lembrou do trabalho por fazer.

Sem temor, nosso autor nadou até o móvel:
era sua velha escrivaninha que boiava.
Então sentiu-se em casa.

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quinta-feira, 29 de julho de 2010

Aventuras de Kafka - I




Numa esquina suja de Praga,
Kafka observava: um homem,
em frente ao espelho,
que mijava.

Escorria por toda a República,
escoava na praça,
sem denotar a parada.

Não havia uma só moça pudica,
uma velha beata,
um rabino barbudo,
nada o envergonhava.

Mijava em baratas, castelos, papeis e pastas.

Kafka começou a se preocupar,
pois o mijo não cessava e
o homem, agora, gargalhava.

Correu pela ponte
assim que o mijo atingiu a água do rio,
que começou a subir.

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